terça-feira, 5 de junho de 2018

Ilha Ramree: o exército de crocodilos


Localização

A ilha Ramree consiste em uma ilha situada na costa do Estado de Rakhine, na Birmânia. A área da ilha é de aproximadamente 1350 km², cujo principal centro populoso é Ramree, todavia o que atrai a atenção acerca desse local não é seu centro populoso, mas seus pântanos, que abrigam crocodilos.


A caminho da armadilha da Natureza

Desseseis quilômetros separavam os soldados do outro lado da ilha. O exército de ocupação japonesa na costa da ilha tinha uma meta simples e bastante próxima, mas não contavam que, em meio ao pântano que deveriam atravessar para chegar ao objetivo, uma armadilha da natureza tão trágica quanto à guerra pacientemente os aguardava: crocodilos.


O massacre

Durante a Segunda Guerra Mundial, ocorreu um confronto entre tropas inglesas e japonesas no local; essa batalha ficou conhecida como a "Batalha de Ramree". Essa batalha ocorreu entre os meses de janeiro e fevereiro de 1945, como parte do avanço na ilha pelo 14º Exército Britânico (1944-1945), objetivando acabar com o domínio japonês no local.

A batalha se iniciou por meio da "Operação Matador", ou seja, um assalto anfíbio com objetivo de captura do porto estratégico de Kyaukpyu (localizado no extremo norte da Ilha Ramree) ao sul de Akyab. Em Ramree, a guarnição japonesa continuava com sua resistência.



Todavia, quando os marines ingleses avançaram, cerca de 900 japoneses abandonaram suas bases, recuando para dentro dos pântanos existentes ao redor da ilha. Essa rota de fuga os abrigou a atravessarem 16 quilômetros de manguezais.

O intuito deles era se juntar ao outro batalhão japonês que ficava mais ao sul, nas extremidades da ilha; ocorre que para chegar a esse outro batalhão, eles não contavam com a lama profunda, as doenças tropicais (em especial, malária) e o seu maior algos: crocodilos de água salgada com cerca de 5 METROS de comprimento (isso mesmo!!!). Crocodilos esses que infestavam os pântanos da ilha.


Por várias vezes, os oficiais ingleses solicitaram a rendição dos soldados japoneses, mas eles ignoraram e seguiram em direção aos pântanos sem imaginar os que os aguardavam pela frente. Centenas de soldados japoneses morreram atacados pelos crocodilos. Para se ter uma noção, de uma estimativa de 500 soldados japoneses que adentraram os pântanos infestados por crocodilos, somente 20 retornaram com vida.


Relato assustador

O naturalista Bruce Stanley Wright, que participou da batalha, incluiu em seu livro "Wildlife Sketches, Near and Far"("Esboços de vida selvagem, perto e longe", em tradução livre) relato assustador da carnificina que os soldados fugitivos enfrentaram.

Aquela noite foi horrível para as tropas que estavam posicionadas na borda do pântano e ouviram tudo. Alguns homens tiveram de ser dispensados da patrulha por não suportar os gritos que vinham lá de dentro. Os crocodilos atraídos pelo som da batalha e pelo cheiro de sangue convergiram aos milhares para o interior da ilha usando os mananciais rasos para se esconder e atacar de surpresa. O ataque do crocodilo de água salgada é rápido e certeiro, o animal se move com precisão, saindo da água apenas o suficiente para alcançar seu alvo e mordê-lo com presas afiadas capazes de triturar ossos como se fossem gravetos. Os crocodilos se concentram nos feridos e naqueles muito extenuados ou aterrorizados para correr. O crocodilo de água salgada tem uma particularidade tenebrosa: ele continua atacando mesmo que tenha obtido carne suficiente para se fartar. Ele costuma afundar suas vítimas na água em tocas alagadas onde acumulam estoque de carne. Os soldados que conseguiram correr foram perseguidos na escuridão, tendo que fugir através da lama que impedia sua retirada. Mesmo os que conseguiram subir em árvores não estavam a salvo. Os crocodilos aguardavam pacientemente até que a fome os obrigasse a descer e muitos preferiram acabar com o horror colocando uma bala na cabeça. O som dos disparos e gritos foram se tornando mais raros a medida que os homens morriam, mas, por vezes, era possível ouvir o som de mandíbulas se fechando e os urros de dor. O som de milhares de crocodilos massacrando mil homens é algo raramente ouvido na Terra e não deve ser agradável. Quando amanheceu, urubus e abutres sobrevoavam o pântano, ansiosos para limpar aquilo que os crocodilos haviam deixado.



Guiness

O Guiness Book listou essa tragédia como "O maior desastre sofrido por humanos causados por animais."

Canal do YouTube:Canal Myllas Freitas





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